sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Queridas lembranças

Capitulo I

As futilidades nem me fazem tanta falta mais, o cigarro e o álcool estão

sumindo de minha vida, as festas, tão freqüentes, já não são mais e tudo

que me resta é esta antiga maquina de datilografar de meu pai.

Vivo a base de café forte e objetos não identificados em minha cozinha,

Cozinha?...Melhor dizer casa de ratos e baratas

Passo quase o dia todo neste quarto e a noite também, o sono não me visita mais, acho que ele tem medo de ficar como eu. Não vejo pessoas, nem a cidade, a luz do dia é minha inimiga.

O saldo é quase zero e mal dá para viver, os textos e livros que escrevo não vendem bem, ficam jogados em bancas decadentes, decadentes com eles mesmos.

A algum tempo, em uma de minhas raras saídas passei em frente a um banca de jornal,uma mulher estava lá,com uma criança, ela pegou um de meus livros,e disse:

-Estes livros deveriam estar no lixo e não aqui,tenho dó desse “escritor”,decadente, e de sua família...

É... Talvez um homem de meia idade, como eu, deveria ter uma família e filhos,

mas quem iria se casar com um ‘escritor decadente’ ?!

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